Em meio a preocupações persistentes com a escassez de água no Distrito Federal, a governadora Celina Leão realizou uma visita às obras de ampliação do sistema de abastecimento na região norte nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026. Apesar dos esforços anunciados, o histórico de racionamentos e instabilidades no fornecimento continua a assombrar os moradores, com cerca de 1 milhão de pessoas em áreas como Sobradinho, Sobradinho II, Itapoã, Paranoá e condomínios ainda vulneráveis a falhas no sistema. O Governo do Distrito Federal (GDF) e a Caesb prometem melhorias, mas críticos questionam se esses investimentos tardios serão suficientes para evitar crises futuras.
Legado de escassez e racionamento
A visita destacou memórias amargas de períodos de racionamento que penalizaram Brasília no passado, afetando especialmente os mais jovens e recém-chegados que não vivenciaram o caos. Celina Leão enfatizou que as obras representam um dos legados mais importantes de seu governo, mas o tom de urgência revela falhas anteriores em planejamento e investimentos. Sem ações mais robustas, a região norte permanece exposta a riscos de instabilidade na pressão e quantidade de água.
Essa obra é uma das mais importantes que o nosso governo está deixando. Os mais novos, os mais jovens ou as pessoas que mudaram para Brasília há pouco tempo não têm essa lembrança, mas a cidade foi penalizada pela escassez de água, com racionamento. Isso foi resolvido com planejamento e investimento do nosso governo.
— Celina Leão
Detalhes das obras em andamento
As construções incluem dois reservatórios com capacidade total de 8 milhões de litros e uma nova adutora para reforçar a distribuição, mas o progresso parcial levanta dúvidas sobre prazos e eficiência. Luís Antônio Almeida Reis, presidente da Caesb, descreveu o sistema como mais sólido e resiliente, abrangendo tanto o lado oeste quanto o leste da região norte. No entanto, a dependência de estruturas ainda em fase de implementação expõe fragilidades atuais no abastecimento para Sobradinho, condomínios e áreas como Itapoã e Paranoá.
Esses reservatórios fazem parte do Sistema Norte. Cada um tem capacidade para 4 milhões de litros, e os dois cheios ajudam a manter a nossa população com qualidade, quantidade e pressão de água na região Norte. Os reservatórios vão abastecer tanto o lado Oeste, como Sobradinho, os condomínios e o Grande Colorado, quanto o Leste, chegando ao Itapoã, Paranoá, Capoeira do Bálsamo e toda essa região. Com isso, o sistema fica muito sólido, muito robusto, e a gente vai criando mais resiliência e mais condição de abastecimento para a população do Distrito Federal.
— Luís Antônio Almeida Reis
Riscos persistentes para a população
Embora o objetivo seja garantir segurança hídrica e maior regularidade, a população de cerca de 1 milhão de beneficiados continua a lidar com incertezas, especialmente em condomínios e bairros periféricos. O foco em resiliência contra escassez soa como uma admissão de vulnerabilidades crônicas, e sem monitoramento rigoroso, essas obras podem não mitigar completamente os problemas passados. Moradores esperam que os investimentos tragam alívio, mas o histórico de instabilidades pressiona o GDF a entregar resultados concretos e duradouros.