A Câmara Legislativa do Distrito Federal realiza a Semana da Primeira Infância nos dias 25 e 26 de agosto de 2026 em um cenário marcado por graves deficiências nas políticas públicas voltadas a crianças de até 6 anos. O evento, liderado pela deputada Paula Belmonte e com participação de especialistas em educação infantil, saúde, assistência social e direitos da criança, além de gestores e sociedade civil, expõe a incapacidade histórica do poder público de garantir condições mínimas de desenvolvimento nos primeiros anos de vida. Atividades como palestras, debates e oficinas, incluindo experiências de outros estados e discussões sobre o Marco Legal da Primeira Infância, chegam tarde diante de índices alarmantes de vulnerabilidade.
Falhas crônicas expostas pelo evento
Apesar das discussões propostas, a iniciativa revela anos de descaso com a primeira infância no Distrito Federal. Crianças continuam sem acesso adequado a educação de qualidade, serviços de saúde preventivos e proteção social integrada desde o nascimento. Especialistas alertam que a ausência de políticas coordenadas perpetua ciclos de pobreza e dificuldades de aprendizado, com impactos que se estendem por toda a vida adulta. A realização de oficinas educativas não substitui a falta de investimentos concretos e de estrutura permanente.
Debates sem resultados práticos
O formato do evento, centrado em apresentações e sensibilização, corre o risco de se limitar a discursos vazios sem gerar mudanças reais. A sociedade civil e gestores presentes criticam a demora em transformar recomendações em ações efetivas, enquanto famílias enfrentam barreiras diárias para matricular filhos em creches ou obter atendimentos básicos. Essa abordagem pontual não resolve problemas estruturais acumulados ao longo de décadas.
Os primeiros anos de vida são determinantes para o futuro de uma criança. Precisamos de políticas integradas que garantam acesso à educação de qualidade, saúde e proteção social desde o nascimento
Paula Belmonte
Com duração de apenas dois dias, a semana reforça a urgência de priorizar a primeira infância, mas também evidencia que o poder público ainda trata o tema de forma secundária.