Para pacientes aguardando transfusões em hospitais, cada bolsa de sangue pode significar a diferença entre a vida e a morte. No período de festas de fim de ano e férias, quando os estoques tendem a diminuir, a conscientização sobre a doação se torna ainda mais crucial. Neste ano, até 10 de dezembro, o Hemocentro de Brasília coletou mais de 52,9 mil bolsas de sangue e cadastrou 2,8 mil pessoas no banco de doadores de medula óssea. Esses números representam histórias reais de sobrevivência e recomeço, como destaca Kelly Barbi, gerente de Captação de Doadores do Hemocentro. Ela enfatiza a necessidade de estimular novos doadores e reconhecer os regulares, especialmente durante a Semana Nacional do Doador, em novembro. Apesar das campanhas, manter os estoques estáveis é um desafio constante: o hemocentro precisa de cerca de 180 bolsas por dia para atender 100% da demanda pública no Distrito Federal. Componentes como plaquetas, que duram apenas cinco dias, exigem um fluxo contínuo de doações. Barbi reforça que o processo é seguro, regulamentado pelo Ministério da Saúde, sem riscos à saúde do doador, e que não há substituto para o sangue humano, tornando a doação um ato essencial de responsabilidade social.
Histórias pessoais ilustram o impacto da doação. A estudante de direito Kelly Maciel, de 26 anos, conheceu o processo em 2021, ao doar para o pai, que enfrentava complicações da doença de Chagas e faleceu por infecção hospitalar. Anos depois, em 2023, ela descobriu uma anemia grave causada por miomas, precisando de 10 bolsas de sangue durante uma cirurgia em fevereiro de 2025. Desenvolveu aloimunização, complicando transfusões futuras, mas expressa gratidão aos doadores anônimos que a salvaram. Da mesma forma, João Alves, de 63 anos, viu sua neta Luísa Peterle, de 9 anos, superar a doença falciforme com transfusões e um transplante de medula aos 3 anos. A família organizou campanhas e agora incentiva outros a doar, destacando a urgência do ato. Outra narrativa é a de Mateus Nunes dos Santos, que nasceu prematuro em 2016 e precisou de transfusões na UTI neonatal, inspirando seus pais, Geovana Costa Nunes e Nicodemos Almeida, a se tornarem doadores regulares.
Para doar, é preciso ter entre 16 e 69 anos (com autorização para menores de 18, e primeira doação até 60 anos), pesar no mínimo 51 kg, estar saudável, sem jejum e evitar álcool por 12 horas. Os estoques atuais, atualizados em 17/12/2025, indicam níveis adequados para O, regulares para O-, B, AB e A, e baixos para AB-.