A Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou na terça-feira (27) uma sessão solene para homenagear a luta pela inclusão de pessoas com deficiência visual, mas o gesto expõe o quanto o Legislativo local demorou a adotar medidas concretas de acessibilidade após 35 anos de existência.
Reconhecimento chega com décadas de atraso
Durante o evento, a professora e ativista Lucinéia de Oliveira Santos recebeu a primeira moção de louvor escrita em braille já produzida pela casa. A entrega, conduzida pelo deputado Eduardo Pedrosa (União Brasil), contou com autoridades, representantes de entidades e familiares, porém reforça a percepção de que iniciativas semelhantes poderiam ter ocorrido muito antes.
Avanço simbólico ainda distante da realidade
Lucinéia leu a homenagem em braille no próprio local, um detalhe que evidencia a ausência prévia desse tipo de recurso. O ato busca destacar sua trajetória na defesa dos direitos das pessoas com deficiência visual, mas deixa claro que o compromisso da CLDF com a inclusão efetiva permanece limitado a gestos isolados.
É uma honra entregar esta moção, que marca um momento histórico para a CLDF. Pela primeira vez em 35 anos, uma moção de louvor é produzida em braille, garantindo que pessoas com deficiência visual possam ter acesso pleno a esse reconhecimento
Eduardo Pedrosa
Apesar das declarações oficiais, o fato de essa ser a primeira moção em braille em mais de três décadas sugere que a acessibilidade no Distrito Federal ainda enfrenta barreiras estruturais significativas.