Cultura e Lazer

A casa de Lelé que pode renascer como ícone de Brasília

259

Imagine uma residência que captura a essência da arquitetura moderna brasileira, projetada em 1961 por João Filgueiras Lima, o Lelé, para o amigo César Prates. Essa joia em Brasília, a primeira casa construída pelo arquiteto na capital, incorpora inovações como os “sheds” que garantem iluminação e ventilação naturais, além de uma integração fluida entre espaços internos e externos, com materiais como pedra bruta, madeira e concreto aparentes. No térreo, áreas sociais e de serviço se conectam harmoniosamente, enquanto o pavimento superior abriga os quartos, com um jardim interno que promove luminosidade e ar fresco. Elementos como painéis treliçados de madeira filtram a luz e asseguram privacidade, refletindo uma tradição que valoriza leveza e fluidez. Para o arquiteto Adalberto Vilela, professor da UnB, essa obra marca o início da trajetória de Lelé, ligada a materiais naturais e uma espacialidade inspiradora, como a escada suspensa por pinos metálicos, um exemplo de economia e design inteligente.

Outro destaque é o sistema de umidificação criado por Lelé, com paredes de pedras naturais e gotejamento de água para combater o clima seco de Brasília, demonstrando uma visão pioneira de conforto e sustentabilidade muito antes de o tema ganhar destaque. Adriana Filgueiras Lima, filha do arquiteto e também profissional da área, recorda com carinho os espelhos d’água e jardins da infância, vendo na casa um valor imenso que merece ser restaurado para preservar suas características originais. Ela se oferece para participar de uma possível revitalização, transformando o que hoje é deterioração em uma oportunidade de homenagear o legado do pai. Vizinhos como Andrea Pires Figueiredo, Ana Cristina Santana, Simone Corrêa e Hélio Figueiredo Júnior compartilham o desejo de ver o imóvel cuidado, destacando seu potencial como patrimônio cultural que enriquece a cidade.

Apesar dos desafios atuais, como sinais de abandono que afetam a vizinhança com questões de segurança e saúde, há um otimismo crescente na comunidade jovem de Brasília para que a embaixada responsável tome providências positivas, como uma restauração que respeite a história. Essa casa não é só um imóvel esquecido, mas uma inspiração para novas gerações valorizarem a arquitetura sustentável e inovadora, podendo se tornar um ponto de encontro cultural e educacional na capital.

Conteúdo relacionado

Apresentação do grupo Camerata Caipira. Foto: David Calaça/Agência CLDF
Cultura e LazerDistrito FederalOpinião

Escola do Legislativo expõe fragilidade de ações isoladas para o Cerrado

A abertura da Semana da Primeira Infância pela Escola do Legislativo da...

Palco de rock brasileiro com instrumentos em Brasília
Cultura e LazerDistrito FederalPolítica

CLDF homenageia mulheres do rock brasileiro e expõe machismo persistente no gênero

A sessão solene marcada para segunda-feira, 18 de agosto de 2026, na...

Foto: Sara Marques/Agência CLDF
Cultura e LazerDistrito FederalPolítica

Câmara do DF realiza sessão solene para celebrar 62 anos do IHGDF

A Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou uma sessão solene na manhã...

Lorenzo Max Ferreira, Débora Marques e Farlei Alves Ferreira
Cultura e LazerDistrito FederalEsportes

Festival de Esportes Aéreos Brasília 2026 encerra primeira edição com sucesso

O Festival de Esportes Aéreos Brasília 2026 concluiu sua primeira edição no...